Saúde pública
Ratos e o alerta constante para doenças
Em Pelotas, pelo menos um caso de leptospirose é registrado anualmente, mas Vigilância indica possível subnotificação
Leandro Lopes -
Problema de saúde pública, os ratos participam de uma cadeia epidemiológica capaz de transmitir mais de 25 doenças a humanos e animais domésticos, dentre elas a comum leptospirose. O crescimento demográfico, falhas de saneamento e o descarte irregular de lixo criam um ambiente propício para maiores infestações de roedores, aproximando cada vez mais estes dos homens. Em Pelotas, anualmente um caso da doença é registrado, segundo o órgão que monitora as infestações. No entanto, a suspeita é que haja subnotificação.
Dentre as doenças que possuem os roedores como principal vetor estão a tifo, transmitida pela pulga e que costuma se manifestar quando há um grande número de ratos infectados em contato com populações humanas, e a salmonelose, em que os ratos transportam bactérias chamadas Salmonella, que causam a infecção através da ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes.
Os estragos realizados pelos animais vão além do contato humano. Em propriedades rurais, os roedores são temidos pois, além de roerem os sacos de grãos, depositam fezes, urina e pêlos nos grãos e em outros produtos, tornando-os impróprios para o consumo humano e animal.
De fácil prevenção, mas perigosa
Considerada a principal doença de uma extensa lista, a leptospirose é muito comum. Sua transmissão ocorre, principalmente, através do contato com a água ou lama contaminadas com urina de animais portadores, sobretudo os ratos. A penetração da Leptospira no corpo, através da pele, é facilitada pela presença de algum ferimento ou arranhão. Também pode ser transmitida por ingestão de água ou alimentos contaminados.
Segundo a Chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica (Vigiep), Aline Machado da Silva, todo ano há registro da doença em Pelotas. "Acreditamos que para a população de Pelotas, é muito pouco. Certamente está subnotificado e com a pandemia a notificação de casos suspeitos diminuiu mais ainda. O último registro foi em 2019", afirma.
A atenção aos sintomas é primordial, uma vez que os sinais são semelhantes a doenças como gripe, febre amarela, dengue e hepatites. De acordo com a responsável pela Vigiep, na fase precoce, febre, dor de cabeça, dores musculares, dor na panturrilha, náuseas, vômitos, anorexia são constatadas em um primeiro momento. É comum não ser diferenciada de outras doenças febris agudas. Já na fase tardia, pode evoluir para manifestações clínicas graves, como icterícia (pele amarelada), insuficiência renal e hemorragia. Aline orienta que, devido à evolução rápida, é recomendável é recomendado, já nos primeiros sintomas, procurar qualquer serviço de saúde, que deverá notificar a vigilância epidemiológica para o acompanhamento do caso.
Como evitar a proliferação
Conforme explica o Centro de Controle de Zoonoses da Vigilância Ambiental em Saúde (CCZ), as principais ações relacionadas ao controle de roedores visando prevenir o aparecimento de ratos são:
- Evitar o acúmulo de lixo, entulhos e objetos que possam servir de abrigo
- Manter a vegetação baixa durante todo o ano
- Manter alimentos em embalagem e local adequados
- Não deixar rações e restos de comida em potes de animais de estimação durante a noite
- Evitar o uso de produtos químicos sem orientação de profissional capacitado
De acordo com a prefeitura, a equipe do CCZ realiza a vistorias nos locais com infestações com a finalidade de identificar qual espécie de roedor e quais fatores estão associados a presença e proliferação. Neste caso, há a orientação ao morador quanto às medidas de controle e prevenção de roedores bem como quanto às medidas preventivas para evitar a ocorrência de doenças transmitidas. O cidadão que identificar a presença de roedores ou sinais que levem a crer de se tratar destes animais pode fazer a solicitação através do 156 ou diretamente no CCZ pelo (53) 3284-7731.
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